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2016: um ano para a história econômica


Sandro Maskio
Coordenador do Observatório Econômico da Metodista

31/12/2016 | 07:30


As ocorrências nos cenários político e econômico colocarão este movimentado 2016 em posição diferenciada nos livros de história econômica dos próximos anos e décadas. Apesar da repetida dinâmica da economia brasileira – caracterizada por lento crescimento, considerável taxa de inflação e significativo desemprego –, nos últimos três anos o comportamento de diversas variáveis econômicas e fatores políticos marcaram a forma como o período atual será recordado no futuro.

Politicamente, 2016 registrou o segundo impedimento de um presidente no Brasil em um período de 25 anos. Sem julgar os casos ou compará-los, o fato é que o desligamento de um presidente é fruto de julgamento político que dilacera feridas e torna as relações mais conturbadas, travando a pauta e o encaminhamento de decisões na esfera política.

Atrelado a este fato, o País também vive uma das maiores tensões institucionais de sua história, tendo como pano de fundo denúncias originadas de investigações realizadas em diferentes operações, especialmente na esfera federal. Não raras vezes, temos observado disputas de autoridade e legitimidade entre diferentes poderes e instituições.

Diante de ambiente conturbado, discutem-se até quando o presidente da República, do Senado ou da Câmara se sustentará no cargo, os mecanismos processuais e a legitimidade dos diferentes poderes em suas relações e inter-fiscalizações, as contestações de decisões tomadas nas diferentes esferas do poder, entre outros. O grau de incerteza só tem aumentado, em especial dos agentes econômicos.

Com uma política econômica contracionista, a recessão econômica do período 2015/2016 deverá ser a maior já registrada em um biênio no Brasil. Temos um dos maiores contingentes de desempregados da história, cerca de 12 milhões de trabalhadores. A retomada da atividade econômica será dificultada nos próximos anos pela extensão da crise fiscal no País e dos esforços que serão necessários para reequilibrar o orçamento público brasileiro.

Por conta dos diversos fatores pontuados acima e dos impactos sociais gerados, 2016 muito provavelmente terá um capítulo à parte nos livros de história também.

Neste período de festas natalinas, quando mostramos comportamento otimista, devemos desejar que não apenas 2017 seja próspero, mas que, no mínimo, o próximo quinquênio ou decênio sejam de reconstrução e solidificação de uma trajetória de progresso de longo prazo. Entretanto, sejemos realistas em um mundo onde não há Papai Noel. A considerar o atual cenário, não será um caminho fácil. 



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