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Feliz ano bom


Rodolfo de Souza

05/01/2017 | 07:00


 A multidão na praia aguarda ansiosa a meia-noite que não tarda. O momento se reveste de toda uma simbologia que também carrega em si uma realidade tão palpável quanto a areia pisada por todos. Talvez a força de tanto sentimento reunido tenha esse poder de tornar concreto aquilo que é símbolo.

E é justamente ali, naquele momento, que todos os olhares estão voltados para um único ponto: a esperança de tudo melhorar no ano vindouro. E todos, de alguma forma, partilham desse sentimento. É provável até que o segredo esteja mesmo aí, no anseio por dias melhores, que bate forte no peito de cada um. Afinal, tornam-se iguais os personagens desta cena fugaz da vida, seja lá qual for a classe social, a cor e o credo. É, pois, a única celebração que tem esse poder de reunir toda a população do mundo num único e derradeiro anseio: o de poder desfrutar de uma vida melhor no ano que ora se inicia. Paz, saúde, amor e, sobretudo, prosperidade é o que se pede num momento em que se comemora o simples avanço de um segundo no relógio que não para e, para o qual, normalmente os olhares se voltam no dia a dia só para conferir a hora, sem se dar conta de que o tempo passa e com ele o ser humano.

Mas agora não. É único o instante que decreta o final de um tempo para o início de outro. E, seja lá qual for o idioma, a língua nesta hora é a mesma em qualquer parte deste plano esférico que abriga toda a população do universo.

Mas lá no Oriente tem um povo que segue um calendário diferente. – dirão alguns. Mesmo assim, para a maioria da gente, é o 31 de dezembro o dia derradeiro, o dia escolhido para reunir os pedidos, para fazer planos e confraternizar, confraternizar de verdade. Há de fato uma explosão de sentimento verdadeiro que impele as pessoas ao abraço, à gargalhada, aos gritos de viva, ao êxtase por causa dos fogos e do champanhe.

O ensejo para se pedir um ano melhor, muito melhor do que o que agora se vai, é o sentimento que paira aqui e ali. Que se possa, afinal, esquecer o ano que foi muito ruim, que trouxe tragédias, guerras, doenças e que ora se finda.

Procura, pois, o povo, agarrado a uma esperança renovada, pensar num novo ano repleto de felicidade, embora saiba, lá no fundo, que estará, no término de 12 meses, pedindo a mesma coisa, cansado do ano que se finda, preso à ideia de que no próximo tudo será melhor. Procura não pensar também na realidade de que o ano, enquanto número, nenhuma responsabilidade tem para com os dissabores desta vida. Quem faz dele bom ou ruim é o homem que navega em seu leito, dia após dia, mês após mês.

Os facínoras, responsáveis por desastres ecológicos, pela ruína dos povos, os assassinos, os ladrões e golpistas, todos esses, em cujo peito não bate um coração humano, também comemoram a passagem de ano, talvez até imbuídos da mesma felicidade, do mesmo anseio pela melhora nos negócios... São atores nesse circo que esculpe o destino das pessoas que fingem não perceber que no ano seguinte continuarão sendo assaltadas, extorquidas, espoliadas e mortas por eles que agora sorriem, se emocionam e distribuem Feliz Ano Novo.



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