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Turismo

Publicado em quinta-feira, 19 de janeiro de 2017 às 07:00 Histórico

Tradição e diversão em São Roque

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

 O que determina o sucesso de uma pessoa é a maneira como ela lida com as dificuldades da vida. É a velha história do copo que tem água até a metade: há os que valorizam a parte que está vazia e, no contraponto, os otimistas, que o enxergam quase cheio. Olivardo Saqui é daqueles que está no segundo time.

Há dez anos ele trabalhava em uma vinícola e ficou desempregado. Ao invés de se desesperar, vendeu, então, a casa e o carro que tinha para investir no sonho: produzir seu vinho. Comprou um ‘pedaço’ de terra no quilômetro 4 da Estrada do Vinho, em São Roque, e plantou os primeiros pés de uva da Quinta do Olivardo.

O negócio cresceu – hoje são mais de oito mil pés –, e ele começou a produzir vinhos. Os clientes passaram a pedir algo para ‘beliscar’. “Como minha mulher, Cíntia, é descendente de portugueses, fazia bolinhos de bacalhau.” E nasceu assim a primeira casa portuguesa da região. O negócio rendeu tanto que, há oito anos, o casal promove a Pisa da Uva, que será realizada nos próximos dois sábados – dias 21 e 28 – a partir das 10h30. “Aqui não vendemos apenas vinho e bacalhau, nós vendemos história”, diz Olivardo.

O processo é o seguinte: o visitante participa da colheita das uvas – para isso ganha um chapéu de palha, cesto e tesoura. Em seguida, acompanha o cortejo que agradece a colheita com sucesso, com direito a brinde e balões brancos e, depois, segue para a pisa da uva colhida, feita no lagar (uma construção de pedras, com formato retangular).

Há os que acham o processo um pouco desconfortável, mas tem também os que não querem sair de lá por nada – o meu caso. Para quem acha suspeito por os pés em algo que vai beber, antes de entrar no espaço deve-se lavá-los em uma água tratada para isso. “E o resultado poderá ser visto em novembro, na Festa de São Martinho. Todos os que participaram da pisa estão convidados a voltar para provarem do vinho que ajudaram a fazer”, ressalta o proprietário da Quinta.

Vale dizer aqui que o passeio tem vista para lindos parreirais, percorridos ao som de um tradicional Fado – cantado por um grupo folclórico português –, e faz o visitante sentir como se estivesse na Ilha da Madeira, em Portugal. É uma viagem para outro continente sem precisar gastar com passagem aérea.

IGUARIAS
Quem quiser participar da pisa, tem de desembolsar R$ 198 por pessoa. No valor estão inclusos degustação de vinhos e sucos de uva produzidos por lá e um almoço especial, que tem como entrada o Bolo do Caco – pão à base de batata-doce, acompanhado de manteiga temperada – e, de prato principal, a Espetada Madeirense, que são pedaços fartos de contrafilé, temperados com alho e especiarias, acompanhada de arroz e milho frito. Vale cada centavo. Crianças até 8 anos não pagam e de até 12 anos pagam meia-entrada. E quem quiser levar uma ‘lembrança’ para casa, há uma lojinha no local. A Quinta produz 20 mil litros de vinho por ano – Bordô, Niágara, Cabernet e Lorena – com preços a partir de R$ 20.


‘Vinho dos Mortos’ pede paciência
No início do século 19, mais precisamente em 1807, em razão da Guerra Peninsular, Napoleão Bonaparte invadiu Portugal com suas tropas. As populações de Trás dos Montes e Beira Alta entraram em desespero, porque tiveram os seus bens e alimentos saqueados pelos soldados franceses.

Para não perder algumas de suas relíquias – leia-se o vinho – decidiram enterrar as garrafas em meio a pastagens e plantações sem saber se as veria de volta. “Eles achavam que a bebida ia estragar e quando desenterraram ficaram surpresos, porque estavam ainda melhores”, conta Olivardo. A temperatura e escuridão favoreceram a fermentação. A prática ganhou força e a bebida ganhou o nome de Vinho dos Mortos, por motivos óbvios. E quem quiser passar pela mesma experiência é só ir no terceiro sábado de cada mês na Quinta do Olivardo.

Basta escolher um rótulo que, a partir das 20h, da noite, será enterrado no espaço estipulado. “Daí a pessoa espera seis meses para retirar a garrafa e provar o vinho envelhecido. O sabor é inigualável”, garante.



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