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Sonho de chegar aos gramados

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Luís Felipe Soares

22/01/2017 | 07:20


A paixão nacional pelo futebol continua a mover milhões de brasileiros. Grande parte deles, principalmente os homens, sonha em fazer das ‘peladas’ realizadas na infância ponto de partida para carreira profissional nos gramados. Marcar gols, fazer defesas milagrosas ou correr para a torcida após uma vitória são cenas que passam pela cabeça desses jovens. Apesar dos momentos de felicidade serem sempre lembrados, os desafios da profissão podem ser sacrificantes. Entre série de altos e baixos, é preciso ter muito mais do que talento para se destacar entre tantos aspirantes a jogadores espalhados pelo Brasil.

Mais recente levantamento realizado pela Confederação Brasileira de Futebol, o Relatório DRT 2015 apontou que 28.203 atletas profissionais possuem contrato avalisado pela entidade para realizar a modalidade como serviço no País. Do total, 82,4% ganham até R$ 1.000 – atualmente, o salário mínimo nacional é de R$ 937. Os contratos milionários são raros, com apenas um inscrito recebendo acima de R$ 500 mil mensais.

O principal celeiro de possíveis craques é a Copa São Paulo de Futebol Júnior, que sempre agita o mês de janeiro ao abrir a temporada nacional. A disputa está em sua reta final, com a decisão marcada para ocorrer na quarta-feira. Neste ano, foram selecionados 120 times (máximo de 3.000 atletas inscritos), incluindo os que representam o Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano e Água Santa (Diadema) – mas todos já foram eliminados da competição.

“Todo mundo fala que é a Copa do Mundo da Base, nossa principal vitrine para o meio do futebol. Não é fácil se destacar porque todos querem um lugar ao sol. É uma experiência e uma pressão indescritíveis”, conta Gustavo Nonato Santana, o Nonato, meia do São Caetano. “Tenho na cabeça que a chave para o sucesso é o trabalho duro. Não vale ser somente ‘bom de bola’. Ninguém vê por trás de toda a ideia de ser jogador o suor que temos no dia a dia.”

Aos 18 anos, o rapaz conta que, até os 9, o esporte era um passatempo. O pai de um amigo conseguiu teste no Juventus (São Paulo) e tudo ficou sério. Após buscar espaço em equipes como Internacional e Cruzeiro, chegou ao time da região em 2014 e, hoje, faz parte do elenco principal do Azulão. Ele tem acordo com os pais para não parar os estudos e cursa a faculdade de Gestão Financeira pela internet. “É uma alternativa válida para esse tipo de vida que levo, com treinos e jogos a todo o momento. Não sabemos o que vai acontecer amanhã.”

Quem também mostrou talento na Copa São Paulo foi o atacante Richard Julio, do Água Santa. O jovem de 16 anos vai começar o 3º ano do Ensino Médio no período da noite, para que a agenda não entre em conflito com os compromissos do time. Ele nunca pensou em fazer vestibular e coloca toda a energia no sonho de estourar nos campos. Natural de São Bernardo, ele participou de teste na equipe na companhia de um amigo, mostrou qualidade e não demorou a assinar o primeiro contrato. 

“Meu pai me levava aos estádios e sempre o acompanhava quando ele ia jogar bola. Isso me incentivou e tento aproveitar ao máximo minhas chances. Não penso em não dar certo. Ralo muito e sempre tento ser positivo quanto a meu potencial”, afirma. 

Sobre a troca de experiência com os atletas mais velhos, Richard diz haver os dois lados da moeda. “É bom, mas também é complicado. Se você errar alguma coisa eles já vêm para ‘dar no meio’, caem matando. Também acaba sendo positivo, pois eles ensinam bastante. Rola uma troca de ideias importante, principalmente para quem está chegando nas categorias maiores.”

Ambos os jogadores revelam que a maioria das pessoas não conhece o cotidiano do meio esportivo. Poucos lembram que o comprometimento é enorme, principalmente em momento da vida no qual a curtição está mais em alta do que nunca. Segundo Nonato, “99% imaginam que é uma vida fácil e que se resume aos 90 minutos no campo. É um trabalho integral, onde temos que conciliar tudo: família, amigos, namorada e estudos. Tenho que me privar de muitas coisas normais ao pessoal da minha idade. Estou na fase da curtição, porém é preciso controle para que meu sonho se realize”. 



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