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Cuidados simples na hora de levar o bichinho dentro do carro podem evitar multas e acidentes


Karine Manchini

09/03/2017 | 07:00


 Quem tem bicho de estimação em casa sabe o quanto é difícil deixá-lo na hora de curtir os finais de semana, feriados e férias. É por isso que, cada vez mais, muita gente dá um jeito de levar o pet junto. Acontece que existem regras bem específicas para quem pretende viajar com animais de estimação.

Não basta, simplesmente, tentar embarcar com o amigo de quatro patas em aviões, ônibus ou no próprio carro da família. Existem maneiras corretas de fazer esse transporte, evitando assim multas e, pior: que o bichinho se machuque se acontecer algum acidente na estrada.

Segundo a veterinária Monique Rodrigues da Clinicão, para transportar cães e gatos dentro do veículo, o ideal é a utilização da caixa de transporte plástica compatível com o tamanho de cada pet. Existe também o cinto de segurança e a cadeirinha. Nunca prenda a própria coleira no banco, isso pode enforcar o animal. “O dono deve optar por qualquer método que restrinja a área de acesso do animal, impedindo seu contato com o motorista”.

Além dos acidentes que a movimentação do bichinho dentro do carro pode causar, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê multas se estiver solto no veículo. As infrações vão de médias a graves. Os tutores também não estão autorizados a dirigirem com os pets sentados à esquerda, no colo ou nas partes externas do carro. A multa, nesses casos, é de R$ 85,13. Quando tiver alguém no carro, o carona pode leva-lo no colo, mas não é o recomendado, pela segurança de todos.

Outro costume é deixar, principalmente o cachorro com a cabeça fora da janela sentindo aquela brisa boa. Também não pode. Além de dar multa de R$ 53,20 – segundo o artigo 169 do CTB – a prática pode ser perigosa. “Imagine um grão de areia batendo no olho a uma velocidade de 60 quilômetros por hora? Causaria belo estrago. Poderia ser ainda pior se fosse um inseto ou algo maior”, explica o especialista em comportamento animal Renato Zanetti.

Tamara Mendes Cacioli, 39 anos, costumava deixar Johnny Cash apoiar a cabeça na janela do carro. Até que percebeu que o olho do Lhasa Apso estava irritado. “Ele estava com dificuldade de ficar com ele aberto. Levei ao veterinário e a primeira pergunta que ele fez foi se eu tinha costume de deixar meu animal tomando vento com o carro em movimento”, conta.

A explicação do veterinário que atendeu o bichinho de estimação de Tamara, confirmou que, provavelmente, alguma pedra ou inseto entrou no olho do cão, que foi diagnosticado com úlcera de córnea. Não foi nada tão grave, mas o cuidado com antibióticos durou cerca de duas semanas. Depois do acidente, ela não deixa mais Johnny Cash tomar ventinho. Além disso, pretende comprar uma cadeirinha para transportar o cachorro. “Depois do que aconteceu, fiquei bem preocupada com ele e também com as multas que posso tomar”, explica.

E se a intenção é deixar seu bichinho o mais seguro e confortável possível, a veterinária Monique Rodrigues dá dicas: “Forre os bancos do veículo com uma toalha e cuide para que ele não sinta calor. Não precisa nem dizer que ele nunca deve ficar trancado no carro. Para os que não são acostumados a viajar, o ideal é fazer alguns passeios curtos para que se adaptem antes de partir para um passeio mais longo”.

Empresas de avião e ônibus têm regras próprias sobre o assunto
Quem precisa fazer viagem levando o animal de estimação em outro meio de transporte, como ônibus e avião, deve estar atento também. Existem várias recomendações que devem ser cumpridas à risca. Para levar o pet de avião é importante se informar com cada companhia aérea, que tem restrições específicas. É preciso, por exemplo, que seja feita reserva o quanto antes, para o caso de ter limite determinado de cargas vivas por voo. Algumas empresas não aceitam cães com focinho curto, como o pug e o pitbull, pois essas raças lidam mal com variações de temperatura.

Segundo informações oficial do Terminal do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, o que determina se o animal vai poder ir na cabine ou não é o tamanho e peso da caixa de transporte. O objeto deve acomodar o bichinho de forma confortável, que permita sua circulação. Além disso, deve estar devidamente trancada de modo que o impeça de atacar alguém. O material da caixa também deve ter um piso que consiga absorver fezes e urina para que não vazem.

Outra orientação importante é a apresentação da documentação que comprove a boa saúde no animal. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) exige que, para viagens nacionais, seja apresentada carteira de vacinação atualizada, com as vacinas múltiplas, a antirrábica e o tratamento com vermífugo. Já em voos internacionais é obrigatório ainda apresentar o CZI (Certificado Zoossanitário Internacional). Para conseguir este documento é necessário agendar consulta com um médico veterinário do Ministério da Agricultura dentro dos aeroportos internacionais do País.

Algumas destas mesmas regras são válidas também para viajar de ônibus. Os pets – de pequeno porte, até 10 kg – devem ser transportados em caixas. A carteira de vacinação atualizada também é exigida, assim como documento assinado por médico veterinário, atestando boas condições de saúde do animal. O transporte não pode prejudicar o conforto e comodidade dos outros passageiros.



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