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Palavra do leitor


Do Diário do Grande ABC

15/03/2017 | 11:14


Tragédias permeiam a existência humana, tão certo quanto o fato de nascermos e morrermos. E, atualmente, como nunca antes experenciado, temos acesso de forma quase imediata e infinitamente reproduzíveis às notícias sobre as tragédias, em diferentes fontes midiáticas, além de as revivermos nas conversas (pessoalmente ou digitalmente), tomando conta de nosso interesse. Mas por que alimentamos esse tipo de curiosidade sobre o que demonstra violência, desastres, mortes? Parece que ficamos inebriados por impulso em buscar mais informações, até sobre os detalhes do ocorrido, numa tendência mórbida, para se aproximar do tema morte. E essa seria uma das possibilidades de vivenciar, sem necessariamente estar diretamente envolvido. A finitude da vida é tema para o qual somos pouco preparados, muitas vezes enfrentando-o com a negação.

E a tragédia presentifica essa noção de fim de vida, gerando identificação de que poderia ter acontecido conosco – e vamos em busca de mais informações para nos sentirmos preparados, mantendo certo controle sobre a situação. Esta ilusão nos causa até conforto. O noticiamento sobre as tragédias nos faz enfrentar a efemeridade de nossa existência. Portanto, conhecer o máximo sobre o que pode acontecer dá a sensação de preparo, até como forma de dessensibilização, no sentido de não causar mais tanto temor, podendo ter efeito de descarga emocional pela comoção que a notícia possa ter causado.

Assim, ficar insistentemente revendo a cena, ou lendo sobre ela, faz com que se possa compreender o que a vida é, tendo função catártica. Ou seja, no caso, manter interesse, por meio de leituras, vídeos, de forma insistente sobre as tragédias, pode ter efeito de catarse, espécie de etapa para elaboração sobre a ideia de morte, por exemplo. Assim, essas pessoas se sentem aliviadas, até no sentido de buscar compreender, emocionalmente, o que seja a finitude da vida. É como descarregar as emoções que incomodam e não têm muita explicação por meio de curiosidade mórbida – ouvir, falar, ler, informar-se sobre os detalhes da tragédia.

Também há que se considerar a descontextualização e a impessoalidade aplicada a algumas notícias de tragédias. Ao se interessar por notícias sobre tragédias, algumas pessoas se satisfariam, no sentido de vivenciarem o incompreensível, ou aquilo que causa terror, por meio do que acontece a outros, em processo de identificação (‘e se fosse comigo?’), até empaticamente, ou tomando distância (‘ainda bem que não é comigo!’) e, depois, ficando até anestesiadas ao que acontece ao outro.

Cláudia Cibele Bitdinger Cobalchini é psicóloga, mestre em Psicologia da Infância e Adolescência pela UFPR, professora de Psicologia da Universidade Positivo e supervisora em práticas profissionais em Psicologia Comunitária.

Palavra do leitor

Estudantes

Vestibular no Brasil virou grande negócio e espetáculo midiático. Parece que candidatos estão fazendo provas para ingressar na Nasa e todos ganham alguns minutos de fama. É impressionante o envolvimento das famílias, amigos e professores irmanados para ajudar os ‘obstinados jovens’ a conquistar disputadíssimas vagas, nas melhores instituições de ensino. Possuir curso superior tem sua importância, mas não é garantia de sucesso profissional. Em nosso País ainda prevalece a lei do QI (Quem Indica). É preciso ter bons ‘padrinhos’ e ‘madrinhas’! Os jovens são sonhadores e contestadores quando entram na faculdade, acham que são donos do mundo. Alguns acreditam que são super-heróis, perdem a consciência e referência social. Para estes, a faculdade é o melhor lugar do mundo, quartel-general da Liga da Justiça. Após a formatura vem a realidade, os ‘super-amigos’ vão se enfrentar por míseras oportunidades no mercado de trabalho. Este é o momento crucial. Não existem espaços para erros e sentimentalismos. É herói solitário, com poderes limitados. Avante, confie na sua astúcia!
Mário Mello
Santo André

Ato falho

Interessante observar como a mente não mente. Ela dá jeito de revelar verdades, à revelia do interlocutor, por meio de pequenas, mas sutis traições. Exemplo emblemático foi Palocci, pronunciado com todas as letras por Emílio Odebrecht em oitiva com o juiz Sérgio Moro, desvelando, sem nenhuma dúvida, ligações muito próximas com organização criminosa estabelecida no País a partir dos governos petistas. Sim, corrupção sempre houve, como nos confirmou ele, mas jamais se revelou tamanho vínculo com o poder, criando modus operandi de governar bastante peculiar. Nunca uma palavra soou tão reveladora.
Eliana França Leme
Capital

Não à blindagem

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não quer nada de punição aos partidos políticos. Foi obrigado a retirar da pauta projeto que impediria o Tribunal Superior Eleitoral de punir legendas cujas contas fossem rejeitadas. Era drible nas punições previstas em leis anticorrupção. Por outro lado, investigado pela Lava Jato o senador Romero Jucá apresentou projeto no qual presidentes da Câmara e do Senado só seriam responsabilizados por crimes cometidos na vigência dos mandatos. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira são citados na Lava Jato. Diante da pressão, retirou a matéria. O objetivo sorrateiro dos corruptos é de se autoblindar. Corruptos disfarçados de homens públicos estão trabalhando incansavelmente na criação de barreira para conter o incêndio e tentar evitar explosão – que pode levar a cenário de devastação em que poucos sobreviverão.
Francisco Emídio Carneiro
São Bernardo

Odebrecht

Empreiteiro de renome mostra a situação do Brasil, onde verbas públicas servem para manobras em benefício de privilegiados, nem todos em cargos de comando. Quais políticos se beneficiaram até agora? E servidores públicos? Quais empresários? E até onde irão as investigações, diante da afirmação do depoente de que sempre existiu caixa dois?
Uriel Villas Boas
Santos (SP)

Jeito feminino?

Lendo este Diário deparei-me com o Artigo ‘Jeito feminino de fazer política’ (Opinião, dia 12). É de se espantar com a postura da deputada federal Renata Abreu. O que esperar de alguém que viveu da política desde a infância – não como forma de luta, mas aproveitando-se dela em vida rica – e faz colocações que nos convidam a reflexão e indignação. Cara deputada, a senhora precisa olhar e bem para as mulheres que ocuparam cargos na República do Brasil nos últimos 14 anos. Algumas foram substituídas, outras estão sendo investigadas na Lava Jato. Que maneira foi essa de proceder? Gostaria que falasse aos seus eleitores como tem procedido nas votações na Câmara Federal. Não posso concordar com o que escreveu. Não pode simplesmente ocultar a incompetência e atribui-la à ‘maneira dos homens de fazer política’.
Luizinho Fernandes
São Bernardo

 



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