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Quatro décadas de crescimento pífio


Sandro Renato Maskio*

18/03/2017 | 07:16


A mídia tem repercutido nos últimos dias que, nunca antes na história deste País, tivemos recessão tão forte e duradoura. No biênio 2015/2016 a economia brasileira encolheu mais de 12%, o que levou a um contingente de cerca de 12,9 milhões de desempregados. Entretanto, olhando a trajetória histórica, observamos que há algumas décadas o crescimento econômico é lento, insuficiente para melhorar de forma significativa a qualidade de vida dos brasileiros. Nas décadas de 1980, 1990 e 2000 o crescimento econômico anual médio foi de 2,93%, 1,61% e 3,37% respectivamente, segundo dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nos últimos anos, entre 2010 e 2016, a expansão média anual foi de somente 1,29%. Considerando a riqueza gerada por habitante, entre 1980 e 2016 a renda per capita aumentou a taxa média de apenas 0,7% ao ano.

A expectativa para os próximos anos, pelo menos até 2019 ou 2020, não é de reversão da trajetória para um processo de crescimento substancial e sustentado. É imprescindível considerar que estamos em meio a uma extensa crise e não saltaremos de um ciclo de recessão para um ciclo de expansão econômica de forma repentina, pois minimamente as inter-relações econômicas estão frágeis.

Entretanto, o fato mais comprometedor para o desempenho futuro é a queda apresentada pelo volume de investimento, que reduziu pouco mais de 25% entre 2014 e 2016. Essa diminuição tem sido acompanhada pela redução do nível de atividade produtiva e ampliação do nível de capacidade ociosa, o que por si só justifica a redução das intenções de investimento pelo setor privado. A isso se soma a redução da capacidade fiscal e financeira do setor público em realizar investimentos frente ao atual quadro das contas públicas.

Com isso, completaremos quatro décadas de crescimento pífio, com baixíssimo efeito sobre a melhora da renda per capita e sobre as condições econômicas da sociedade brasileira, apesar dos benefícios obtidos com a recente melhoria na distribuição de renda no País.

As últimas quatro décadas já nos trouxeram lições suficientes para aprendermos a importância do planejamento e da adoção de ações de longo prazo, com vistas à melhoria da solidez produtiva da economia brasileira. Corremos o risco de nos deparar com outras décadas perdidas, em um ciclo desastroso de profecias autorrealizáveis, se não começarmos uma reconversão na filosofia de curto prazo que domina a programação das políticas econômicas brasileiras e instaurarmos, ainda que gradualmente, uma cultura de planejamento de longo prazo, menos contaminada por interesses políticos eleitorais.

* Material produzido por Sandro Renato Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Faculdade de Administração e Economia da Metodista. 



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